um dos pesos de ser professora
Minha intenção era evitar mencionar explicitamente minha profissão aqui, mas o blog serve como um espaço para despejar o que vive na minha cabeça, então... Cá estou.
Toda vez que eu falo sobre ser professora eu penso naquele meme: o trabalho danifica o homem. Em momento nenhum dos meus anos de professora da rede pública eu tive um dia de paz :B Esse post, em específico, é cortesia de 3 dias inteiros de reuniões de conselho de classe sobre minhas turmas do fundamental e do médio.
É desgatante. Por todos os motivos já conhecidos e alguns não conhecidos.
(Eu tô escrevendo isso no trabalho mesmo, na sala de uma das minhas turmas de 3º ano, onde há só 6 dos 30 alunos presentes. Dia de chuva, frio, humidade.)
A quantidade de absoluta desgraça humana que aparece em conselhos de classe atravessa qualquer um. Não falamos apenas sobre desempenho e comportamento. Claro que muitos muitos muitos alunos correm risco de reprovação esse ano; o desinteresse e descomprometimento deles com a própria educação é um dos obstáculos mais difíceis da gente tentar superar. Eles acham que fazer nada dá em nada. Não há consequências. No fim do ano, um Estado preocupado com índices de aprovação e ganho de verbas federais vai pressionar a aprovação deles.
(Ontem, em um dos conselhos, percebemos que, entre as 7 turmas cursando o último ano do médio na escola, há em torno de 20 alunos atualmente reprovados. Alunos que estão pagando a formatura.)
O que realmente me pega como pessoa, suga minha energia e me faz querer morar na praia e vendar miçangas nem é isso. É o que está por trás disso. São as situações que são trazidas para o grupo de professores com objetivo de incentivar o acolhimento.
Histórias de violência doméstica, abuso sexual, prostituição forçada/tráfico humano, uso de drogas, envolvimento com crime organizado e tráfico, problemas de saúde seríssimos que podem levar a óbito, situações de negligência absurdas, menores de idades morando sozinhos ou em possível situação de rua, tentativas de suicídio.
É tanta coisa que a gente escuta e tem que levar em conta enquanto professor que???? Não é de surpreender que a gente tá adoecido, fazendo de tudo pra sair da área. Nenhum de nós tem preparo e/ou qualificação pra lidar com isso e a rede não dá conta. Essas crianças e adolescentes acabam esquecidas, perdidas no meio do caminho, porque há limites pro que a gente, como professor, pode e consegue fazer.
Eu tô terminando essa semana só querendo dormir e ficar em silêncio. Não quero escutar e ficar sabendo de mais nada. Eu tô aqui pra dar aula, mas esperam que eu tenha os recursos emocionais necessários pra dar conta disso, não somente da minha parte, mas da parte do estudante também.
O que é isso?????????????? De que jeito?????????????